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"Em 1975 foi lançada a antologia
26 Poetas Hoje. Organizada por Heloisa Buarque de Hollanda,
essa coletânea reuniu a chamada "poesia marginal
dos anos 70". Esse tipo de poesia começou a se
desenvolver no começo daquela década, em pleno
auge da ditadura (e por razão) através de textos
mimeografados, outros, em offset, livrinhos com circulação
bem reduzida e em conversas nos bares mais freqüentados.
26 Poetas Hoje, na época do seu lançamento,
causou polêmica e recebeu críticas por todos
os lados: a Academia Brasileira de Letras, por exemplo, não
conseguia ver nada além de um simples valor "sociológico"
naqueles "sujos e pornográficos"
versos produzidos por ilustres desconhecidos.
O discurso desses poetas, que tanto pavor
causou nas ilustres letras brasileiras, era munido de cinismo,
despretensão, imediatismo e de uma maneira de se expressar
inteiramente coloquial e pessoal, como se o poeta fosse um
amigo muito íntimo do leitor. Essas características,
aparentemente gratuitas, eram peças fundamentais na
construção da sua linguagem. Nessa poesia, a
influência de grandes poetas brasileiros e estrangeiros,
tais quais Manuel Bandeira e Baudelaire, não aparecia
necessariamente em sua forma poética. Essa influência
podia ser encontrada através de frases e trechos de
outros poemas ou, até mesmo, de nomes desses poetas
"colados" entre os versos como uma espécie
de mural onde colocamos as nossas fotos preferidas.
Depois de quase um quarto de século
do seu lançamento, essa antologia, está sendo
relançada, pela Editora Aeroplano, de propriedade de
Heloisa."
(Jornal do Commercio / 19 de fevereiro
de 1999)
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