Caio Fernando Abreu - Cartas
Org. Italo Moriconi

 

"As cartas permitem acompanhar a entrega com que Caio se dedicava à literatura e à vida. Ele não era de meios-termos. Namorava os limites, buscava os extremos, procurava a transgressão. Experimentou do Santo Daime à cocaína, e era freqüentemente atacado por crises de melancolia e de depressão. Sua literatura refletia as aflições e o desamparo humano. A influência clariciana era assumida, como dizia em carta de 1995: “Certa vez um crítico do ‘Le Magazine Litteraire’ disse que meu texto parecia ‘o de uma Clarice Lispector que tivesse ouvido muito rock’n’roll e tomado algumas drogas.’ Fiquei lisonjeadérrimo.

"O livro, com mais de 500 páginas, espelha o universo pop-contracultural do escritor, mas surpreende ao mostrar também um lado menos baixo-astral de Caio. Como diz Moriconi, "o tom é mais para o vivaz que para o claustrofóbico"."

(O Globo - Segundo Caderno /
15 de dezembrode 2002)

 

"A obra acabou sendo não apenas o painel de uma vida, biografia informal ou romance epistolar, como também se transformou num panorama abrangente da cultura e da própria vida literária do país nas décadas de 60 e 90."

( Jornal do Brasil - Idéias/
4 de janeiro de 2003)

 

"Oscar Wilde escreveu que toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo - e que aqueles que vão abaixo da superfície fazem-no por sua conta e risco. No caso dos escritores (e dos ficcionistas, mais especificamente), essa verdade ultrapassa os limites do produto artístico e invade a intimidade secreta do fingidor. Autor representativo dos anos 70/80 no Brasil, o gaúcho Caio Fernando Abreu tem parte de sua vida pessoal devassad no livro-documento Cartas.

"Meticulosa e delicadamente devassada, deve-se destacar. Recolhidas aos seus destinatários de origem, selecionadas e editadas durante dois anos pelo poeta e doutor em letras Italo Moriconi, essas cartas oferecem uma face bem mais solar que a que se podias imaginar do escritor pela leitura de obras como Pela noite, Sargento Garcia ou nas famosas Cartas para além dos muros, em que revelava seu internamento num hospital paulista, por causa da Aids que viria a matá-lo, aos 47 anos, em fevereiro de 1996."

(Correio da Bahia - Folha da Bahia/
20 de janeiro de 2003)

 

"O resultado é mais do que a radiografia de um escritor sensível e infatigável, do começo de sua carreira, dos seus problemas pessoais, das suas ambições, frustrações, falta de dinheiro, os casos amorosos.

Pela quantidade e variedade de correspondentes e pela duração desta correspondência ao longo de tantos anos, o que se tem é um verdadeiro painel da vida cultural brasileira destas últimas décadas. E, por ser escritor, Caio Fernando tem consciência da (possível) perenidade do que está escrevendo. Algumas cartas são trechos de pura literatura de alto grau.

Assim, entre as informações e a emoção, "Cartas" resgata um pedaço tão importante da nossa cultura, que está ao nosso lado e no qual muitas vezes não prestamos atenção."

(IG Ler/
09 de abril de 2003)


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