Caio Fernando Abreu - Cartas
Org. Italo Moriconi

Aeroplano Editora
Categoria: Correspondência
Número de páginas: 536
Formato: 14 x 21cm
Preço: R$ 48,00
ISBN: 85-86579-39-4

Caio Fernando Abreu, um dos mais importantes e controversos contistas brasileiros, teve uma vida desmesurada, sem meio-termos nem limites. Uma vida que parecia se confundir com sua própria produção literária. E é, com o objetivo de recuperar o romance fragmentado de sua vida que a Aeroplano Editora lança o livro Caio Fernando Abreu – Cartas, uma seleção da correspondência trocada com amigos, escritores, atores e músicos, permitindo imergir em toda a intimidade de Caio, em suas perguntas e procuras.

Escrever cartas era quase que uma obsessão, "ele gostava de conhecer pessoas para escrever cartas", diz o professor e organizador Italo Moriconi. As cartas foram organizadas em ordem cronológica, ao invés de separadas por destinatários, buscam recuperar o enredo espatifado de uma vida. Desta forma o livro se encontra dividido em duas partes, a primeira contendo as cartas escritas nos anos 80 e 90, e a segunda, voltando no tempo com as cartas adolescentes escritas para os pais, até as produzidas no final da década de 70, proporcionando um poderoso documento do surgimento da voz real e ficcional do ícone Caio Fernando Abreu.

É possível acompanhar, através das cartas as turbulências da vida de Caio, compreender melhor sua literatura que refletia as aflições e o desamparo humano. Nas cartas pode-se perceber a dificuldade de ser um escritor profissional: "Até hoje, cinco livros publicados, 34 anos, me debato todos os dias para sobreviver e para não desistir. Nélida Piñon costuma dizer que, de alguma forma, todos os dias alguém bate à nossa porta e nos convida a desistir." No entanto, a escrita também se mostra vital para ele, como aparece na carta escrita para a amiga Jacqueline Cantore, logo após o suicídio da escritora Ana Cristina Cesar: "Com que direito, Deus, com que direito ela fez isso? Logo ela, que tinha uma arma para sobreviver – a literatura – coisa que pouca gente tem."

São cartas que revelam também um lado menos claustrofóbico de Caio, mais vivaz. Em algumas, seu lado esotérico e místico se sobressai. Em outras, as cartas transpassam à mera descrição do dia-a-dia e ajudam a traçar um painel da vida cultural e política brasileira nos anos 70, 80 e 90. Sua vida amorosa também se mostrava bastante tumultuada.

Caio Fernando Abreu – Cartas remonta uma vida tempestuosa, assim como a dos poetas Cazuza e Renato Russo, almas gêmeas de Caio em matéria de destino e expressão artística, que viu-se na contingência de ter mesclada a tarefa da criação com o drama da morte anunciada.


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