| Palavras de Zanelli
Ana Zanelli
Acabo de ler os originais deste livro. Virei a última página dos ensaios de afetos. Tempestade de palavras sobre o telhado de minha casa. Sem qualquer ruído. O silêncio desta leitura se instalou em mim. O silêncio das árvores ao redor de minha casa. De vez em quando, as mangueiras deixam despencar seus frutos sobre o telhado. Palavras maduras como saborosas mangas que despencam sobre minha cabeça, Angela vai fiando a Vida e a vida se faz Arte em cada frase pontuada. Reconheço-me: dor e êxtase. Nenhum ruído. Só o ritmo do texto em meu coração de mulher. Uma aranha tece sua teia, Angela protege o que considera que vale a pena. Não preciso relê-lo; a eternidade, com seu gesto natural de fruta, encarrega-se dele. O que passou se transformou. Sinto-me no presente. O mesmo que Angela não deseja conjugar. Este fluir da vida que se faz. Infinitivo do verbo. Ou substantivo do SER.
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