Teatro de Anônimo

O teatro de Anônimo tem uma relação bastante peculiar com o circo. Esse seu diferencial, essa sua importância e encantamento. Fico aqui com duas idéias. A de anônimo e a de circo. Começo pela segunda. O circo, como o define e experimenta o próprio grupo do Anônimo, é um espaço de circularidade, do encontro, da roda sem hierarquias.

Em roda, a prática teatral se desdobra em possibilidades riquíssimas e bastante específicas: são várias competências e voltagens que precipitam a potência de um trabalho que ignora as formas do juízo de propriedade acanhado e preconceituoso das artes tradicionais. Aqui, temos fundamentalmente o acolhimento do círculo, onde todos têm sua presença criativa. As destrezas do equilíbrio, da força, da mágica, do humor, do administrador regente.

A lógica do circo é a de uma comunidade familiar. O circo, historicamente, é um empreendimento familiar. Não deve ser mero acaso a conhecida fantasia (muitas vezes tornada realidade) de “largar tudo e ir atrás do circo”. Atrás da família circense, do pertencimento. Todos cabem debaixo da lona. Antes de tudo, o anonimato aqui é um eixo conceitual. Espaço onde a autoria não tem muito peso e valor. O importante é a força produtiva do coletivo, da criação onde o fazer se faz na relação com o público. Como na arte popular, na arte da rua.

Segundo João Carlos Artigos, é um equívoco dizer que o Teatro do Anônimo é o circo moderno. Para esse teatro-circo, a meta é ser moderno, engajado no trabalho “anônimo”, coletivo, generoso e, especialmente, explorar sua função de grande catalisador de criatividade e inovação. Um espaço do acolhimento, no qual a grande arte teatral e circense se expressa em toda sua excelência e afetividade.

Esse é o compromisso artístico e ideológico do teatro de Anônimo cujo reconhecimento, nacional e internacional, hoje é um fato notório.

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